sexta-feira, 19 de junho de 2026

As Graças de um Repouso Forçado: O Consolo do Sagrado Coração em Nossas Aflições


Nós costumamos desenhar nossas vidas em planilhas e calendários, mas é a Providência Divina quem dá a palavra final. Nosso verdadeiro descanso está em confiar nEla.
​As grandes mudanças começaram em maio. Foi nesse mês que precisei abrir mão da minha matrícula no IME-USP. Com a greve da universidade, eu teria que correr sozinha com os estudos e precisaria de um tempo que, no momento, não tenho. Estou buscando uma redução de carga horária no trabalho justamente para me dedicar mais ao Bento e ficar mais estabilizada. Foi um ato de renúncia adiar esse projeto acadêmico mais uma vez, mas a maternidade pedia a minha presença. Ainda em maio, logo no dia 9, precisei me mudar às pressas porque a dona do meu antigo apartamento o vendeu.
​No meio de tudo isso, em meados de maio adoeci e, no fim do mês, fui diagnosticada com pneumonia. Minhas férias, que deveriam ser de descanso e de organização da casa nova, tomaram outro rumo. A fragilidade aumentou e, na tarde da última segunda-feira, precisei ser internada.
​O que mais me entristeceu no início dessa internação foi perceber que estamos exatamente no mês do Sagrado Coração de Jesus. Eu, que tanto desejava participar das missas e festividades, me vi presa em casa e a um leito de hospital. Mas é aqui que quero deixar o meu testemunho: o Sagrado Coração realmente dá todas as graças necessárias para quem é seu devoto, e Ele nos consola em todas as nossas aflições.
​Durante todo esse tempo, mesmo na exaustão física, senti fortemente que Ele está comigo, e confio nEle de olhos fechados. A maior prova do Seu cuidado foi que, se eu não podia ir até a Igreja, Ele veio até mim. Ontem, recebi aqui no hospital a visita que havia pedido ao Padre Diego, e pude me confessar e receber a Unção dos Enfermos. Aproveitando a graça desse momento, ele se ofereceu espontaneamente para abençoar alguns santinhos do Sagrado Coração com as Suas 12 promessas. Agora, vivo a alegria de propagar essa devoção aqui mesmo, entregando essas imagens abençoadas aos funcionários do hospital. Meu quarto se tornou, de fato, um pequeno altar da Sua misericórdia e um espaço de missão.
​Minha tia Cida me disse algo que me fez refletir: ela não sabia como eu havia conseguido, mesmo doente, continuar levando o Bento para a escola, para a terapia e para os médicos. A verdade é que, em casa, uma mãe não consegue fazer repouso. A louça, as roupas, o Bento, o Batata e o Puppy não podem esperar. Eu estava agindo com a força física que ainda me restava, mas a fragilidade já havia tomado conta. Esse repouso no hospital foi o limite necessário que eu mesma não conseguia impor.
​E como o Sagrado Coração providencia tudo! Todos os dias recebo a visita de uma das minhas tias, revezando-se para não me deixar só. Minha família abraçou a retaguarda com meu filho e com os pets. Senti novamente o que é o amor ao próximo na sua forma mais pura.
​Até nas minhas frustrações como mãe, Deus operou curas maravilhosas. Na última quarta-feira, eu havia programado um passeio com o Bento no Dopamine Land. Como eu estava internada, pedi que o pai dele o levasse. Eles foram e se divertiram muito! Meu filho, que antes se recusava a ir para a casa do pai, está se aproximando muito dele e agora está ficando lá. Uma dor minha abriu espaço para a restauração dessa convivência entre eles.
​Minha previsão de alta é para este domingo e estou muito confiante no tratamento dos médicos. Na segunda-feira já retorno ao meu trabalho. Sei que vou voltar para uma casa cheia de caixas de mudança — das quais não consegui organizar nem a metade —, mas volto com o coração diferente. As caixas podem ser desempacotadas aos poucos. O que levo dessa internação é a certeza de que, em meio às tempestades, o Sagrado Coração de Jesus é o nosso refúgio mais seguro.

Nenhum comentário: