Meus queridos irmãos em Cristo, muitas vezes, em nossa caminhada, deparamo-nos com corações empedernidos e situações que fogem inteiramente ao nosso controle e aos nossos limitados esforços humanos.
A inesgotável sabedoria de A Imitação de Cristo (Livro Primeiro, Capítulo 16) nos traz um farol luminoso para essas noites escuras: "Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o tolerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo".
O segundo parágrafo deste mesmo capítulo nos dá uma diretriz prática de profundo valor, que se alinha perfeitamente à Segunda Carta de São Paulo a Timóteo, exortando-nos a não porfiar e a não viver em contendas. O texto nos adverte: "Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele honrado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal". O autor nos chama a uma profunda humildade ao acrescentar: "Procura sofrer com paciência os defeitos e quaisquer imperfeições dos outros, pois tens também muitas que os outros têm de aturar. Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à medida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas".
Contudo, quando a impossibilidade de mudar o outro e as frustrações práticas despertam em nós sentimentos de medo, insegurança e dúvida, devemos identificar com clareza que a nossa alma foi lançada em um estado de desolação espiritual. Nesses momentos de provação, a regra de ouro do discernimento dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola vem em nosso socorro. Devemos aplicar rigorosamente a 5ª Regra: em tempo de desolação, nunca fazer mudança, mas estar firme e constante nos propósitos e determinação em que se estava na consolação. Nestas horas, devemos exercer a santa indiferença, recordando a necessidade de desapegar-nos de afetos desordenados e da ânsia por resultados imediatos, entregando o tempo da conversão e as circunstâncias inteiramente à Providência Divina.
Para que esta fortaleza interior não esmoreça, quer seja em nossos próprios combates íntimos, nas obrigações diárias como analista de TIC ou no sagrado dever de educar a prole — como procuro fazer todos os dias com o meu filho Bento —, é indispensável estruturarmos com rigor a nossa rotina de piedade diária. Partilho com vocês a forma como irei apoiar a minha própria vida interior:
- Pela manhã: Inicio o meu dia com o Oferecimento Diário, unindo-me à Rede Mundial de Oração para rezar pela intenção do mês recomendada pelo Santo Padre. Elevo também a Deus o Angelus matutino, oferecendo-o com fervor pela pureza do meu filho.
- Nas refeições: Santifico o alimento diário traçando o sinal da santa cruz com reverência, antes e após cada refeição.
- À noite: Reúno-me com o meu filho para rezarmos juntos ao menos uma dezena do santo terço, intercedendo pela nossa família e pelas intenções do Papa Leão.
- Antes de dormir: No fim do dia, recolho-me na presença do Senhor para o meu Exame de Consciência, pedindo luz ao Espírito Santo para purificar a alma das agitações, e entrego o descanso a Deus com as orações da noite.
Irei apoiar toda esta estrutura cumprindo fielmente os meus deveres de estado, operando sempre com a mais reta intenção. E para não esmorecer diante das tribulações, buscarei uma vida sacramental frequente, recorrendo com assiduidade inabalável à Confissão e à Eucaristia. Que a graça do Coração de Jesus nos sustente na paciência.
Observação: Essa ajuda espiritual consegui em conversa com a IA de Direcionamento Espiritual que já comentei em outra publicação.