sexta-feira, 1 de maio de 2026

Maternidade na Pré-Adolescência: Entrando no Mundo dos Nossos Filhos para Educar

O último ano marcou o meu retorno, a retomada da nossa rotina e um reencontro profundo com a maternidade. Durante a minha ausência, percebi que meu filho acabou tendo acesso a conteúdos que, sob os meus cuidados e supervisão, eu não permitia. A primeira reação de muitas mães zelosas talvez fosse proibir tudo da noite para o dia. Mas a educação exige sabedoria, e eu sabia que uma proibição abrupta e radical só geraria revolta e distanciamento entre nós.
​Como bem nos alertou Santa Teresinha, a pré-adolescência é a fase crucial onde o caráter começa a se formar. As más companhias — que hoje em dia não estão apenas nas ruas, mas muitas vezes escondidas atrás das telas, em jogos online e redes sociais sem a presença de um adulto — podem ser muito prejudiciais antes de entrarem de vez na adolescência. O acesso irrestrito à internet é um campo perigoso para quem ainda está construindo sua própria visão de mundo.
​Por isso, quero deixar um conselho muito prático para outras mães que me acompanham: entrem no mundo dos seus filhos. Em vez de apenas criticar de longe ou proibir sem explicar, sentem-se ao lado deles. Procurem entender o que se passa naqueles jogos onde eles passam horas imersos, assistam aos mesmos vídeos e maratonem as mesmas séries.
​Quando percebi o que meu filho estava consumindo, em vez de erguer um muro com um simples "não", decidi assistir com ele. Uma dessas séries era Hazbin Hotel. Ao acompanhar os episódios, eu explicava o porquê de certas mensagens e comportamentos serem errados. Uma hora ou outra nossos filhos acabarão expostos a essas coisas no mundo, então a nossa missão é armá-los com discernimento. Aos poucos, trabalhando esse senso crítico com paciência, ele mesmo percebeu as falhas naquilo que assistia e perdeu o interesse. Hoje, ele já não quer nem mais assistir. Graças a Deus, a conscientização e a presença funcionaram muito melhor do que a imposição cega.
​Outro grande aprendizado nessa nossa nova dinâmica tem sido o exercício diário do autocontrole através do silêncio. Na pré-adolescência, as faíscas e as críticas direcionadas a nós são comuns. Quando ele tenta me criticar, eu escolho me silenciar em vez de entrar em uma disputa para ver quem tem razão. Muitas vezes, tentar explicar as coisas no calor do momento simplesmente não adianta.
​Ao me calar, deixo que ele reflita diante do meu silêncio. Sem ter contra quem argumentar, ele ganha o espaço necessário para pensar nas próprias atitudes e processar a emoção. É impressionante como isso faz a poeira baixar de forma natural, abrindo caminho para conversas reais depois.
​Mães, educar não é sobre vencer discussões ou criar redomas de vidro intransponíveis. É sobre guiar e formar um caráter sólido com amor, presença e sabedoria. Conheçam os mundos virtuais dos seus filhos, tragam a luz do diálogo para dentro desses espaços e vejam a confiança se fortalecer dia após dia. É um desafio diário, mas os frutos de paz e respeito valem cada esforço.