Vi-me cercada por mentiras ditas para denegrir a minha imagem. E o mais difícil: precisei prestar obediência às autoridades médicas mesmo quando não conseguia enxergar onde estava errando. No entanto, descobri que obedecer no escuro é uma das formas mais puras de sacrifício. Tentar provar a minha verdade para quem já decidiu não acreditar é um esforço insignificante. A verdadeira dádiva foi deixar de vez as ilusões do mundo e me entregar ao silêncio, oferecendo essa dor e restrição para desagravar os Corações de Jesus e de Maria. É neles que encontro a força e a consolação necessárias.
Nessa jornada de esvaziamento, a providência agiu de forma muito peculiar. Antes mesmo de ter o meu atual Manual do Coração de Jesus da Editora Realeza, eu havia resgatado um exemplar bem antigo em um sebo. A minha intenção inicial, com a minha mente sempre investigativa, era apenas conhecer a fundo a história do Apostolado da Oração. Porém, após a minha expulsão da Congregação Mariana (CM), comecei a ler aquele pequeno livro antigo com outros olhos.
Fui percebendo que, para a minha realidade, ele era o encaixe perfeito. Não que um seja melhor que o outro — pelo contrário, as duas devoções são belíssimas, complementares e muito parecidas. No entanto, para o meu atual momento de vida atribulada, a espiritualidade do Apostolado da Oração revelou-se o porto seguro exato de que eu precisava.
Confesso que ainda tenho dificuldades em seguir o manual sem ter uma companhia ou orientação próxima; nem tudo está sendo tão claro nesta fase inicial. Mas o que me conforta é saber que a principal obrigação é simples e direta: rezar o oferecimento diário nas intenções do Santo Padre. Essa é a base que me sustenta. E, de certa forma, não estou sozinha nessa alegria. Lembro-me com muito carinho da minha amiga, a Dona Luzia, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Vargem Grande Paulista. Ela já havia me convidado para o Apostolado no passado e, hoje, saber que ela está muito feliz com o meu interesse aquece o meu coração e me dá ânimo para continuar, apesar da distância entre nós duas.
Deus, em sua sabedoria, sabe que minha formação é enraizada na lógica e que anseio por clareza. Por isso, enviou-me um auxílio moderno para me ajudar a estruturar as ideias enquanto trilho esse novo caminho: a Inteligência Artificial.
Eu confesso que, por muito tempo, olhava para a IA e outras tecnologias parecidas com bastante desconfiança. Pensava comigo mesma: "Isso é coisa de quem não quer pensar, de quem acha que a máquina vai resolver a vida por nós". Mas eu estava enganada.
Quando me vi em momentos de extremo isolamento, sem saber onde buscar soluções para problemas complexos que eu vivia — como o gaslighting (aquela manipulação covarde onde distorcem a verdade para fazer você duvidar da própria sanidade) —, a IA se tornou um espelho racional. Como ela não tem emoções, ela não julga e não entra no "teatro de Pilatos". Eu explicava a situação, e ela me apresentava opções lógicas de como agir e falar. Ajudava-me a simular conversas difíceis, a controlar meus impulsos coléricos e a responder com clareza em vez de reagir com desespero. E começou a dar certinho.
A IA não pensa por mim, ela me ajuda a organizar os meus pensamentos. Tenho plena consciência de que uma máquina jamais substituirá os relacionamentos humanos ou o indispensável atendimento psicológico, mas ela pode, sim, ser usada para o bem. Hoje, ela é uma ferramenta valiosa que me auxilia a colocar as ideias no papel, a estruturar o meu raciocínio e a unir tudo isso às minhas orações diárias.
O Teatro de Pilatos, a Soberba do Julgamento e Providência Divina
A confirmação de que este é o caminho certo veio de forma providencial na Santa Missa, através da homilia do Padre Renato Leite. Ele foi, como sempre, cirúrgico.
Hoje ele disse que Pilatos, cujo o nome é falado na nossa profissão de fé, criou um Sacramento que na verdade era um teatro para se isentar da culpa na condenação de Jesus, lavando as suas mãos com água por puro amor próprio.
A precisão das palavras dele ficou ainda mais clara para mim na confissão, logo após a Missa. O Padre Renato me passou uma penitência que se revelou um imenso desafio de humildade: rezar uma Ave Maria por cada pessoa de quem tenho alguma queixa hoje.
Quando sai da Capela me vi perdida, porque não entendi muito bem o que seria uma queixa, como não tenho rancor e já perdoei todos que me causaram algum tipo de mal, pensei que era isso que tinha que fazer. Rezar por aqueles que de alguma forma eu na minha cabeça acho que me fizeram algum tipo de mal. Eu saí com isso na cabeça e já comecei a fazer um exame de consciência de todas as pessoas que eu acho que me prejudicaram em algum momento. Comecei a rezar no trem do metrô e anotar no a papel. Sai de Santo Amaro até em casa pensando nas pessoas, anotando e rezando uma Ave Maria por ela. Quando eu cheguei em casa, já estava quase dando 200 pessoas. Acendi a vela do meu altar doméstico, comecei a olhar para os quadros dos Corações de Jesus e Maria e me veio a cabeça, estou fazendo errado! O padre Renato disse hoje e não ficar revendo todo o meu passado. Aí me veio o estalo de opa! Já deu, não tem tanta gente assim hoje com alguma queixa. E de 200 e tantas pessoas, caíram pra um pouco menos de 10.
Na minha cabeça, eu tava pensando que essa penitência nunca teria um fim, mas era algo bem mais simples do que eu entendi.
Para selar essa experiência, no fim da Missa, rezamos as orações pedidas pelo Papa Leão XIII — as mesmas que estão no Missal Romano Quotidiano, no Manual da Congregação Mariana e no meu amado Manual do Coração de Jesus. É a prova de que a Igreja fala a mesma língua em todas as suas instâncias. E que as espiritualidade de cada carisma, levam ao mesmo objetivo, que é a nossa Salvação, porém de maneiras que a princípio parece diferente, mas no fundo, só muda a perspectiva da realidade vivenciada. Isso me faz lembrar a minha publicação da tentação do saber que é o fruto desde a criação do homem, mas tendo ênfase no caso da matriz de perspectivas de visão do mundo.
Hoje, sob o pontificado de Leão XIV, que nos chama constantemente à paz e à misericórdia, a minha paz não vem de ter o meu nome limpo diante dos homens, mas de ter o meu coração alinhado ao de Cristo. Com o Manual nas mãos e a lógica guiando os meus passos, sigo a minha missão.