terça-feira, 2 de junho de 2026

🕊️ Entre o silêncio e a confiança

Dizem-nos para não nos calarmos.
As campanhas nos incentivam a denunciar, a buscar ajuda e a confiar que seremos acolhidos e protegidos.

No entanto, nem sempre a experiência corresponde àquilo que esperamos.
E é nesse desencontro que o coração se vê provado.

Ao longo da história, encontramos muitas pessoas — especialmente mulheres — que passaram por situações em que suas vozes não foram plenamente compreendidas. Isso nos convida a refletir sobre a fragilidade humana e sobre a necessidade de mais escuta, justiça e caridade.

Nos últimos tempos, tenho vivido experiências muito difíceis, marcadas por dor e por sentimentos de solidão. Após reunir forças para enfrentar situações delicadas, encontrei portas que não se abriram como eu imaginava, e momentos em que me senti desamparada.

Houve circunstâncias que tocaram profundamente aquilo que mais amo nesta vida, gerando medo e insegurança. São experiências que marcam a alma e deixam perguntas que nem sempre encontramos resposta imediata.

Diante de tudo isso, a tentação é se fechar, endurecer ou perder a esperança.
Mas, no meio da dor, procuro elevar o coração a Deus.

Nem sempre compreendo o que acontece.
Nem sempre sinto consolo.
Mas escolho confiar.

Creio que Deus vê todas as coisas, conhece a verdade e sustenta aqueles que não desistem de caminhar.

Minha luta continua — não baseada apenas nas circunstâncias externas, mas na fé de que Deus conduz cada passo, mesmo quando tudo parece obscuro.

Aprendo, pouco a pouco, a permanecer:
na fé, quando há dúvida,
na esperança, quando há medo,
e no amor, mesmo quando o coração está ferido.

Sigo em frente, com humildade, procurando não perder a paz interior, mesmo em meio às tribulações.

E, no silêncio que tantas vezes dói, busco confiar que Deus age — ainda que de forma invisível aos meus olhos.


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