Existem momentos na vida em que as palavras parecem insuficientes para narrar a complexidade de um ciclo que se fecha. Como Analista TIC e alguém que encontra refúgio tanto na lógica da matemática quanto na profundidade da fé, percebi que minha história recente poderia ser contada através de uma playlist que havia começado há algum tempo. Ela se chamava "Casamento" e após analise junto a IA, mudei o nome para "Família em Reconstrução".
Cada canção é um marco, um "ponto de checagem" na linha do tempo do meu casamento e da minha transição para esta nova fase.
1. O Deslumbre do Início
Tudo começou no vasto mundo digital. "Soulmate" (Copy & Paste) ecoa o termo que ele usou: um "encontro de almas". Naquele momento, a conexão parecia transcendente. Logo em seguida, mergulhei em "Connected Emotions" (também do Copy & Paste); ali eu descrevo como me deixei levar totalmente pela emoção e pela intensidade daquela paixão inicial.
2. Os Planos e os Sonhos
Como toda história que começa com esperança, desenhamos um futuro. "Linha do Tempo" (Victor & Leo) era a trilha do que eu imaginava que seriam nossos anos juntos — uma construção mútua. Esse desejo de unidade culminou em "Become One", a fase em que o sonho de ter três filhos e multiplicar nosso amor era a nossa meta principal.
3. As Primeiras Rachaduras
A música, porém, começou a mudar de tom. Em "Set Fire to the Rain" (Adele), registrei o momento em que percebi que ele estava mudando comigo, como se o que construímos estivesse sob uma tempestade que eu não conseguia conter. "Easy on Me" (Adele) veio logo depois, como um apelo por paciência e um reflexo da fragilidade em que nos encontrávamos.
4. O Peso do Silêncio e da Inércia
A realidade do dia a dia trouxe um fardo solitário. "Alma Que Ociosa Te Sientas" (Joaquín Díaz) descreve a alma que se senta ociosa; era como eu via a dinâmica em casa, onde a falta de apoio e a prostração dele deixavam todo o peso da família nos meus ombros. O cansaço físico e emocional transbordou em "All for Nothing" (Face to Face): a percepção dolorosa de que eu faria qualquer coisa por nós, mas estava recebendo o "nada" em troca.
5. O Despertar e a Chave na Porta
A clareza final é libertadora, ainda que doa. "Better Than Anything" (Dance Hall Crashers) marca o meu "basta". É a música de quem descobriu a verdade, cansou das desculpas e decidiu que a porta agora tem uma nova chave. Não há mais lugar para quem não quer seguir os mandamentos de Deus.
6. O Acorde Final: A Redenção pela Oração e a Honra ao Altar
Para fechar esse ciclo e garantir que minha reconstrução seja feita sobre rocha firme e não sobre mágoa, escolhi "Rezo por Ti" (Spinetta/García).
Esta é a música da entrega. A "velha história" acabou e as feridas estão sendo curadas. Mas há algo que permanece intacto: o juramento que fiz no altar. Como Missionária e mulher de fé, entendo que o meu "sim" foi dado diante de Deus e, embora a convivência tenha se tornado impossível e os caminhos hoje sejam separados, a sacralidade daquela promessa de respeito e oração pelo outro continua viva em meu coração.
O meu papel agora muda, mas não se extingue. O amor que um dia foi partilha cotidiana transmutou-se em caridade cristã e intercessão. Por ele, hoje e sempre, eu apenas rezo. Desejo que ele encontre fé em Deus, enquanto eu sigo construindo meu novo lar com a paz de quem honra sua própria história e a certeza de que a vida é, acima de tudo, uma constante batalha contra as trevas.
Obs.: No rodapé desse blog na versão da web contém a playlist que citou nessa publicação.